terça-feira, 30 de julho de 2013

Ponto final.

Todo mundo vive insistindo em acabar com as coisas, fazer com que tudo tenha um limite, todos os dias corremos e corremos como se quisemos que tudo acabe logo e possamos deitar e acordar e correr de novo para que o dia acabe... Mas no fim o que acaba? A vida. 
Eu tenho uma forte tendência a culpar a gramática por isso, afinal foram os gramáticos que inventaram o ponto final, que colocamos em todas as nossas frases e em qualquer idioma, pelo menos nos idiomas que eu conheço, não são muito, mas entre o português, inglês e meu sofrível espanhol, 99% dos lugares no mundo colocam fim as suas vidas diariamente. Porque não 100%? Porque sou romântico, e acredito que em algum lugar desconhecido, uma civilização desenvolvida para os nossos padrões atuais aprendeu a viver sem colocar fim ao que se sente, apenas a somar sentimentos, somar histórias, somar pessoas, amigos, somar vidas e nunca dar fim a nada! Talvez essa civilização não esteja remota, mas sim espalhada entre bilhões de seres humanos que vivem sobre a Terra, disseminando liberdade. Sonho.
Sou contra o fim, porque eu não consigo entender como podemos dar fim ao que foi bom, ao que uma vez julgamos ser pra sempre. Deveríamos apenas somar novas expectativas, novos desejos, reajustar, consertar o que incomoda, MUDAR! Somos covardes, damos fim ao que acreditamos ser errado, exterminamos o que saiu dos padrões, por medo, medo bobo de sermos julgados pelo que o como sociedade julgamos ser ético, moral e o escambau. Claro! Muito mais fácil me livrar do que é diferente de mim, do que me adaptar, do que MUDAR minha mente antiquada, do que sequer admitir que sou ultrapassado.
Talvez tenhamos que ser mais leves, menos fofoqueiros, menos juízes, mais felizes!